VACINAS E NATURISMO

por: Ubiratan Fazendeiro

Acredito que manifestações feitas por alguns naturistas contra qualquer vacina não representam a vontade da maioria dos naturistas. Quase todos os naturistas estão, na verdade, ansiosos pela vacina. 

Mas a facilidade dos meios de comunicação à disposição nos dias de hoje, permitem a vários grupos ter poder de fala, (inclusive nós naturistas) isto permite a estes segmentos sociais terem uma reverberação de suas vozes e este eco dentro da própria bolha levam a crerem que são muitos. 

Pessoas de "boa fé", mas geralmente manipuladas por algum grupo ideológico, acreditam em vozes carregadas de rancor, por uma causa ou contra algum adversário político e repassam as postagem ardilosas a outros grupos, correndo o risco de passar vergonha, pois as postagens são facilmente desmascaradas por uma simples pesquisa em sites que se especializaram em denunciar as fakenews.

Alguns destes grupos, impulsionados por políticos radicais de direita e mesmo alguns perdidos de esquerda, embarcaram no falacioso discurso sinofóbico, recusando tudo que vem da China. Mal sabem que somente 5% dos insumos utilizados pela indústria farmacêutica para a produção de remédios são produzidos no Brasil, os outros 95% são importados sendo que 35% vêm da China de acordo com relatório do próprio governo. Sem estes insumos, o Brasil não poderia ter quebrado patentes de medicamentos caros e fornecer ao brasileiro os medicamentos populares conhecidos como genéricos, similares. Já usou algum?

A China também é o maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 27 bilhões da balança comercial. Para comparação, o 2° parceiro é os EUA com 13 bilhões, sendo que 70% dos produtos agropecuários brasileiro são exportados para a China. 

Lamento termos à frente do governo, alguém que faz uma diplomacia, que é um exemplo já clássico de como a cegueira ideológica conduz à decisões que são pura estupidez, pois é um tiro no pé ter ojeriza a um cliente de tamanho porte, aqueles que assim agem deveriam começar destruindo seus smartphones, afinal todos tem suas principais peças feitas na China e o uso destes smartphones estão afetando seus cérebros. 

Outra coisa básica a todos que exercem ou pretendem exercer a carreira política é saber que a função do Estado Moderno é garantir direitos e deveres a todos os seus cidadãos para amenizar e/ou acabar com os conflitos existentes, entre estes conflitos a necessidade de igualar o acesso ao direito à saúde. O SUS cumpre a função de democratização da saúde, que antes da Constituição de 1988 era acessível apenas para alguns grupos da sociedade.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do SUS,  é uma referência mundial, pela sua grande cobertura e por ter eliminado em apenas 30 anos doenças como: POLIOMIELITE, SARAMPO, TÉTANO NEONATAL, DIFTERIA, TÉTANO ACIDENTAL, COQUELUCHE, MENINGITE TUBERCULOSA e outras. Isto só foi possível devido a ampla adesão dos brasileiros às vacinas.

Aqueles que têm condição, podem se apegar a seus convênios em caso de eventual enfermidade, mas a maioria imensa da população depende do SUS e de suas vacinas, então destruir a credibilidade dessas instituições é no mínimo insanidade.

Para naturistas adeptos do veganismo, de medicinas alternativas, que evitam tratamento invasivo de cirurgias, drogas alopáticas ou são alérgicos, pode até fazer sentido a recusa de qualquer vacina, mesmo que o método possa ser considerado homeopático.

Mas não faz sentido para a maioria dos naturistas, que praticam um naturismo adaptado à terras Tupiniquins, mais focado na nudez, que aceitam o uso de carne e de bebidas alcoólicas, com adesão apenas recreativa a ginástica, que fazem uso do meio natural sem uma efetiva defesa deste, agitar agora a bandeira contra a vacina contra COVID de qualquer nacionalidade ou contra qualquer outra vacina. Lembro que boa parte dos naturistas que conheço estão na faixa de risco, e serão beneficiados prioritariamente, e todos usam alopatia e vários usam psicotrópicos.

A FBrN – Federação Brasileira de Naturismo, não impõe aos naturistas nenhuma proibição relacionada à vacinação ou ao controle da saúde, mas tem normas sociais como meio de garantir um padrão ético de comportamento, entre eles está o conceito de não fazer mal a outros e acredito que divulgar fakenews com o objetivo de causar pânico é uma tentativa de prejudicar.

Luiz Carlos da Comissão de ética da FBrN escreveu: "Não vejo o naturismo dissociado da política. Temos que aprender a lidar com o contraditório, com as opiniões que divergem da nossa. Discutir ideias, sem agressões, com respeito às pessoas. Se conseguimos ter esta posição em relação aos corpos (todos são respeitados), por que não com as ideias. Só não podemos ser tolerantes com ideias que propagam o preconceito, discriminação, racismo, ódio e violência. Tais idéias devem ser banidas. O diálogo é o caminho para a construção de uma sociedade democrática e plural.” 

Respeitamos cada um pelas suas escolhas e opiniões, “RESPEITO” é palavra chave no naturismo, mas não podemos aceitar o crime da fakenews, não devemos aderir a discursos que não tem base lógica, não podemos ser espelho de movimentos messiânicos que tentam converter todos a um modo de pensar, não há razão para querer interferir na imunização de outros e aderir movimentos negacionistas.

Naturistas, acreditem na ciência e na tecnologia, sem elas não existiriam coisas que hoje parecem básicas como a internet e os smartphones que permitem o nosso encontro e a expansão do naturismo. Não use estas ferramentas para causar pânico e um grande problema de saúde pública.







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